CARTA DO GESTOR 07/2025: ARPOADOR FIDC RL

O Arpoador FIDC RL adota uma estratégia diferenciada, com 100% da carteira alocada em cotas subordinadas júnior de FIDCs sob gestão da Artesanal Investimentos, visando capturar retornos mais elevados no longo prazo. Em julho, o fundo apresentou rentabilidade negativa -2,55%, resultado influenciado, sobretudo, pelas alocações nos segmentos de Fomento Mercantil e Financeiro.

A carteira de Fomento Mercantil apresentou desempenho aquém das projeções para o período, reflexo de rolagens associadas a operações atualmente em processo de reestruturação e renegociação contratual. A conclusão desses processos tende a mitigar os efeitos negativos registrados entre abril e julho, contribuindo para a normalização dos fluxos operacionais e recuperação da performance da carteira nos próximos ciclos mensais.

O segmento Financeiro também apresentou desempenho abaixo do esperado, impactado por uma retração na originação de operações nos últimos dois meses. Esse movimento decorre, principalmente, de um processo de reestruturação interna e da adoção de critérios mais rigorosos para a concessão de crédito. Adicionalmente, observou-se uma redução nos repasses realizados pelas companhias elétricas durante o mês, o que contribuiu para a elevação do nível de PDD (Provisão para Devedores Duvidosos) do fundo. Em julho, contudo, houve uma retomada do volume de originações, o que reforça a expectativa de recuperação da performance da carteira nos próximos períodos.

Já no Agronegócio, o desempenho da carteira do ficou abaixo do projetado no período, refletindo, principalmente, rolagens pontuais de contratos que deverão ser normalizadas ao longo do próximo mês, com a expectativa de execução das garantias reais vinculadas. Outro fator que contribuiu negativamente foi o elevado nível de caixa, mantido em razão da incerteza gerada pela possível implementação de tarifas de importação aos produtos brasileiros pelos Estados Unidos. Tal cenário afetou diretamente a confiança dos produtores em relação à demanda futura do agronegócio nacional, reduzindo o apetite por novas linhas de crédito e, consequentemente, impactando negativamente o volume de originações no setor. Com a eventual definição dos novos parâmetros comerciais, espera-se que os produtores possam retomar sua capacidade de planejamento com maior precisão. Isso deve contribuir para uma retomada gradual nas decisões de investimento e, por consequência, na originação de crédito direcionado ao setor.

Por fim, a carteira de ativos do setor imobiliário registrou desempenho inferior ao esperado no período. Esse resultado decorre, em grande parte, do arrefecimento da demanda por imóveis, influenciado pelo patamar elevado da taxa básica de juros. O encarecimento do crédito tem limitado a capacidade de financiamento dos compradores, o que tem se traduzido em um ritmo de vendas dos empreendimentos aquém do inicialmente projetado. Esse cenário, por sua vez, impacta negativamente tanto a originação de novas operações quanto o custo de captação, que se mantém pressionado diante da maior aversão ao risco e da necessidade de prêmios mais elevados por parte dos investidores.